| Data. | 27.04.2005 |
| Competição. | Jogos amistosos |
| Cidade | São Paulo |
| País. | Brasil |
| Estádio. | Pacaembu |
| Arbitros. | Martim Vasquez (Uruguay) |
| Brasil | Guatemala |
| Anderson 4'
Romário 16' Grafite 66' |
| Brasil | Guatemala |
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Marcos
Cicinho Anderson Fabiano Eller Léo Magrão Mineiro Carlos Alberto Ricardinho Robinho Romário Marcinho 36' < > Magrão Grafite 39' < > Romário Rogério Ceni 46' < > Marcos Fred 46' < > Robinho Fernandão 46' < > Carlos Alberto Gabriel 63' < > Cicinho Gláuber 81' < > Fabiano Eller Treinador : Parreira |
Klée (Motta, 70') Martinez Cabrera Melgar Chen Thompson Girón Romero Castillo Ángel Sanabria Hernán Sandoval Gomez (Chen, 46') Morales (Girón, 46') Figueiroa (Thompson, 65') Davila (Ángel Sanabria, 65') Gonzalez (Melgar, 70') Aragon (Castillo, 70') |
Romário se preparou para a sua despedida da Seleção Brasileira achando que não iria conter o choro no momento em que fosse substituído. As lágrimas que não conseguiu controlar vieram antes, na execução do Hino Nacional, quando tentou sem êxito segurar a forte emoção.
Foi um momento em que ele extravasou tudo o que viveu nos dias que antecederam o jogo contra a Guatemala. Romário estava ansioso, sem saber ao certo o que poderia acontecer no Pacaembu - de verdade, temia que uma parte da torcida não o recebesse bem, chegasse a vaiá-lo.
Na véspera do jogo foi dormir tarde, o sono custou a vir como ele contou, passou o tempo fazendo planos. Preocupou-se com o tempo, com a redução do público caso chovesse, pedia informações do que aconteceria depois que fosse substituído.
O desejo de dar a volta olímpica
Para tanto, tinha uma idéia fixa: queria dar uma volta olímpica no Pacaembu. Mesmo sabendo que tinha de ser retirar rapidamente do estádio e sob o risco de perder o vôo às 23h50 para o México.
- Vai dar tempo. Saio do jogo, dou a volta olímpica e vou voando para o aeroporto - planejava Romário, que viajou para Guadalajara, onde participa nesta quinta-feira do amistoso revanche contra o time do goleiro mexicano Jorge Campos.
No dia do jogo (quarta-feira), Romário acordou tarde e teve uma surpresa - não chovia, como ele temia, e chegou a aparecer o sol. Às 20 horas, na saída para o Pacaembu, teve mais motivos para ficar animado: na frente do hotel, cercado por uma aglomeração de torcedores, foi saudado com gritos de incentivo.
No curto trajeto até o Pacaembu, acenou para aos torcedores que esperavam pela passagem do ônibus da Seleção, e constatou que a noite estava começando bem - alguém comentou que a previsão do público era muito boa.
- Depois eu digo que eu sou o cara, que Deus apontou para mim, e vocês não acreditam. A previsão era de que iria chover e está uma noite bonita. O Pacaembu vai encher, agora só falta eu fazer gol.
A palavra do capitão no vestiário
No vestiário do Pacaembu, depois de se uniformizar, Romário foi o último a se juntar ao grupo de jogadores que batiam bola. Depois do aquecimento, que durou cerca de 25 minutos, Romário já com a braçadeira de capitão tomou a palavra na tradicional roda de jogadores, da qual participaram os tetracampões Dunga, Branco, Paulo Sérgio e Viola - Raí chegou depois.
- Queria dizer que estou muito feliz de estar aqui com vocês. E também que me sinto orgulhoso de estar me despedindo da Seleção representando esses caras aí (apontando para os companheiros tetracampeões) e dessa comissão técnica. Eles sabem o quanto batalhamos para ganhar o tetra, o quanto foi importante aquele título.
O treinador Carlos Alberto Parreira fez questão de dar também o seu depoimento.
- Me sinto um privilegiado de participar desse jogo. Aqui estão representadas várias gerações de campeões do mundo, a começar pelo Zagallo. Então esse é um momento especial - disse Parreira, antes de se iniciar a oração que os jogadores fazem, abraçados.
O jogo, a vitória e o último gol pela Seleção
A Seleção Brasileira tornou fácil, desde cedo, o jogo contra a Guatemala. Na cobrança de escanteio, aos 5 minutos, Anderson se antecipou e fez 1 a 0 com uma cabeçada.
Os torcedores vibravam a cada boa jogada da Seleção, que como Parreira pediu na preleção explorava com sucesso as jogadas pelas laterais, com Cicinho e Leo, aplaudiam os dribles de Carlos Alberto e Robinho, mas de verdade pareciam mesmo esperar pelo gol de Romário.
Toda vez que o atacante recebia a bola, criava-se a expectativa do chute a gol. Romário chegou a ter uma oportunidade, o goleiro defendeu. Mas o momento do gol não demorou a vir. Aos 17 minutos, em uma saída errada do goleiro, Ricardinho cruzou para a área e Romário subiu para cabecear, fazendo 2 a 0. Na comemoração, mostrou a camisa com que homenageou a pequena Yvy, sua filha que nasceu com Síndrome de Down.
Romário tinha cumprido parte da sua promessa - ele garantiu que marcaria dois gols. Passou a correr atrás do outro, que veio novamente depois de um cruzamento de Ricardinho, mas o juiz anulou alegando impedimento.
Aos 38 minutos, então, o momento de sair chegou. Grafite estava à beira do gramado e Romário foi ao seu encontro para ser subsituído escoltado por Dunga, Branco, Raí, Viola e Paulo Sérgio. Depois vieram a volta olímpica, a ida à Tribuna de Honra para receber uma homenagem da TV Globo, e a descida rápida para o vestiário. Banho tomado, Romário mostrou toda a felicidade que sentia, em meio à pressa em se vestir.
- Foi legal demais. Deu tudo certo. O que mais em impressionou foi o carinho da torcida, não esperava que me apoiassem desse jeito. Acho que a entrevista que dei na terça-feira ajudou - disse Romário, antes de seguir para o Aeroporto de Guarulhos.
No segundo tempo, Grafite completou com um bonito gol, depois de receber passe de Fernandão, o placar de 3 a 0 com que o Brasil venceu a Guatemala.